Zero Waste – um Modelo de Produção Sustentável

Com a rapidez na produção de roupas no modelo fast fashion, que produz muito com pouca qualidade e baixos preços, muitas roupas são usadas por pouco tempo e depois de gastas, são jogadas diretamente no lixo. A cultura do descarte virou um hábito quase que automático, e poucas pessoas pensam no destino das roupas que são descartadas e na consequência disso. Além disso, há o desperdício na indústria do vestuário.

Esse modelo de consumo em que tudo é descartável começa a ser questionado, dando lugar aos projetos de “zero waste”, ou “lixo zero”. Para algumas pessoas esse estilo de vida é impossível e não se encaixa na vida urbana, mas na verdade ele ganha cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. É um modo de viver que exige abdicar de alguns hábitos de consumo da vida moderna, como comprar roupas em excesso, por exemplo. Por outro lado, esse modo de vida permite redescobrir prazeres há muito esquecidos, como o de encomendar uma roupa nova num atelier local e viver a experiência de acompanhar todo o processo e poder decidir detalhes da peça, coisa que não é possível quando se compra roupas prontas. A experiência de fazer uma encomenda personalizada gera maior apego emocional às roupas e consequentemente, maior cuidado. Uma roupa de qualidade pode durar anos e fazer parte de muitos momentos importantes em nossa vida e na vida de nossos filhos. Em vez de acumular dezenas de peças no armário, podemos ter aquelas roupas escolhidas a dedo, que cuidamos com carinho para que tenham uma longa vida e possa ser usada por mais tempo. No caso das roupas infantis, uma peça de qualidade pode ser usada por muitas crianças, sejam elas da mesma família ou não.

Na confecção de moda e vestuário existe uma séria problemática com relação ao desperdício. A indústria do fast fahion produz cada vez mais peças de roupas e nessa produção acelerada, milhões de toneladas de sobras de tecidos são rejeitadas. Isso gera um impacto econômico que é repassado ao consumidor: o preço comercial das peças usualmente inclui uma compensação para os resíduos. Esses restos de tecido, na maioria das vezes, vai para o lixo, porque aproveitá-los seria perda de tempo.
O processo de design “zero waste” oferece uma alternativa de produção mais limpa, visando à minimização do desperdício já nas fases de design e modelagem, proporcionando nova abordagem ao desenvolvimento de produtos, tornando a produção mais limpa e diminuindo seus impactos ambientais, visando o conceito sustentável do slow fashion.

Embora o design zero waste seja considerado inovador para a indústria, o conceito já é antigo na história do vestuário. De acordo com Rissanen e McQuillan (2011) muitas roupas eram projetadas para minimizar o desperdício e as modelagens eram desenhadas como um quebra-cabeça de formas simples, como o kimono japonês, ou o tecido não era de todo cortado, como no chiton romano e no saree indiano. Segundo os autores, contudo, devido à Revolução Industrial, o tecido se tornou mais barato e fácil de ser jogado fora. O processo zero waste reapareceu na primeira metade do século XX com Ernesto Thayaht e na década de 1950 com Claire McCardell e Bernado Rudofsky. Atualmente,as pioneiras no zero-waste fashion design são Zandra Rhodes, que emergiu na década de 1970, e Yeohlee Teng, na década de 1980. O design zero waste ainda é pouco conhecido no Brasil, mas algumas empresas já estão adotando com bons resultados.

As pessoas passaram a buscar uma vida saudável aliada ao ritmo urbano, e em alguns países, a sociedade cobra mudanças para o setor da confecção. Esse novo consumidor é bem informado e direciona a indústria e a moda para novos padrões de produção, criação e desenvolvimento sustentáveis. Para o novo consumidor de moda, deve existir uma nova indústria de moda, que saiba se relacionar com esse público, impulsionando um novo padrão de consumo consciente. A indústria é cobrada a atentar para a quantidade de recursos e matérias-primas que a sociedade atual está deixando para as próximas gerações. Consumir produtos eco amigáveis se trata de uma atitude de educação, conhecimento e respeito pelo planeta.

Este post foi publicado originalmente no blog It’s a Girl.

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