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Sabemos que a moda surgiu como um produto do capitalismo industrial e se baseia na mudança rápida. Por isso quando falamos de sustentabilidade parece que a moda, com suas características efêmeras, anda na contra mão dessa tendência mundial. Mas não precisa ser assim. Existem muitos designers projetando suas criações dentro dos padrões de sustentabilidade e nem por isso deixam de lançar produtos atraentes.

Um bom exemplo disso é o trabalho da estilista Carollina França que se inspira em movimentos contemporâneos que misturam moda, estilo e sustentabilidade, criando as coleções da marca  Joyful. Há menos de dois anos no mercado, a marca curitibana ganha destaque com peças feitas com tecidos orgânicos, tingimentos naturais e muita responsabilidade socioambiental.

Abaixo, amostras do trabalho de Carollina França:

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Você já pensou sobre o impacto que s roupas e acessórios que usamos ou criamos podem  gerar no meio ambiente?  Seja através de processos químicos aplicados aos materiais, mão de obra irregular ou a emissão de poluentes devido ao transporte das matérias primas, é preciso avaliar todo o processo de produção, divulgação, venda e descarte dos produtos.

Escolhi uma personalidade para ajudar a gente a pensar um pouco sobre as nossas práticas ao criar e vender moda, e descobrir se estamos cometendo algum pecado contra o “marketing verde”. Trata-se de Rogério Ruschel, que é publicitário e jornalista e foi o primeiro consultor especializado em negócios sustentáveis do Brasil ao associar valores de marketing e comunicação a programas de sustentabilidade. Ele é diretor   da Ruschel & Associados Marketing Ecológico e editor da revista eletrônica Business do Bem.

Rogério Ruschel

Rogério Ruschel


Ruschel elaborou duas listas de “10 Mandamentos” do bom e do mau marketing relacionado à sustentabilidade.


Dez acertos no marketing socioamblental:


1 Entender a complexidade do processo e seus reflexos na empresa a curto, médio e longo prazo;
2 Investir em sustentabilidade com a mesma vontade política com que investe em tecnologia, recursos humanos e uma nova planta industrial;
3 Cumprir a lei sem “jeitinhos”, entender que cumprir a lei não é mérito, é obrigação;
4 Compartilhar suas dúvidas com os diversos segmentos da sociedade;
5 Ter a humildade de reconhecer que não está pronto para trilhar o caminho da sustentabilidade sem parcerias e ajuda – ninguém está pronto;
6 Ter a generosidade de abrir mão de algum beneficio ou resultado de curto prazo (mesmo que atrapalhe sua competitividade num primeirto momento) para colher beneficios no médio prazo;
7 Respeitar as críticas, mesmo as injustas – afinal as pessoas são diferentes (culturalmente diversas entre si) e todo mundo está aprendendo a se locomover neste desconhecido território da sustentabilidade
8 Fazer mais e divulgar com mais qualidade e auto-crítica;
9 Nunca mentir;
10 Não cometer os erros da listinha abaixo.


Dez erros em marketing socioambiental:

1 Entender que a busca pela sustentabilidade é uma “onda passageira” e que algumas “esmolas sociais” serão suficientes para permitir que algum jornalista mais superficial possa dizer que a empresa é “boazinha” – e com isso achar que “está em dia” com o assunto;
2 Acreditar que é capaz de compreender este assunto sem capacitação qualificada, profissional – a prima da tia de um dos diretores “sabe tudo sobre isto” porque planta muitas árvores e será nossa professora;
3 Decidir que é suficientemente experiente sobre o assunto, porque afinal de contas “há muitos anos nossa Fundação ou Instituto vem fazendo filantropia”;
4 Confundir os conceitos: filantropia é dar um peixe a quem tem fome; Responsabilidade Social Empresarial é ensinar a pescar e sustentabilidade é preservar o rio. Todas são importantes, mas tenha certeza sobre o que está fazendo antes de falar para o mundo;
5 Incluir no orçamento do ano que vem uma “campanha socioambiental” ao invés de incluir no orçamento recursos para a empresa começar a adotar uma atitude socioambiental como parte do negócio o mais rápido possivel;
6 Não perceber que agora estamos vivendo em uma economia aberta, na qual o consumidor não é mais um “público-alvo” e sim “uma parte interessada” capaz de influenciar ferozmente decisões corporativas, derrubar produtos, desfazer imagem institucional por atitudes de compra e pressões por internet;
7 Não perceber que agora tudo aquilo que acontece ANTES e DEPOIS do processo produtivo, industrial (dentro da empresa) é também responsabilidade da empresa. O processo industrial do século XXI precisa considerar a origem das matérias-primas, o perfil de impacto dos insumos, a “folha-corrida” social dos fornecedores, a pegada ecológica do produto, a legislação de responsabilidade solidária do produto nas lojas e até mesmo a regulagem do motor dos caminhões que distribuem sua mercadoria, para não ser punida pela opinião pública ou legislação;
8 Permitir que sua agência de propaganda faça brincadeirinhas fúteis na sua comunicação sobre este assunto;
9 Mentir;
10 Ser superficial.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Leia também: O que é Greenwashing

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Tânia Neiva

Tânia Neiva - Designer de Moda - Ilustradora

1 comentário

Os dez Mandamentos – 1956 – 8 de 23 | Abraço - abraços e beijos · 6 de abril de 2010 às 14:23

[…] Os Dez Erros e Acertos do Marketing Verde | Tânia Neiva […]

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