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Quando falamos em sustentabilidade nem sempre paramos para nos perguntar quando surgiu esse conceito e como ele interfere em nossas vidas. Para responder a essas questões vamos conhecer a evolução do consumo de roupas e como as coisas mudaram ao longo da história.

 O conceito de moda começou no final da Idade Média (século XV) e começo da Renascença, quando a população das cidades crescia e o comércio se tornava cada vez mais forte. Com isto, os burgueses, que eram os comerciantes das cidades, começaram a copiar as roupas dos nobres, na tentativa de se parecer com estes para ganhar status, muito parecido com o que acontece hoje com as celebridades. A diferença é que só tinha muitas roupas quem realmente tinha muito dinheiro, pois tecido custava caro e as roupas eram feitas artesanalmente. Como os nobres queriam sempre se diferenciar no seu modo de vestir, a velocidade das mudanças no vestuário foi aumentando rapidamente.

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Com o aumento das mudanças na moda, aumentou também o consumo de roupas. Mais tarde, com a evolução da indústria a partir do século XVIII aumentou a produção de tecidos e as máquinas de costura aos poucos passaram a ser item indispensável no ambiente doméstico. Apesar de a indústria já fabricar roupas para vender, comprar roupas prontas foi por muito tempo um luxo para poucos. As roupas compradas feitas só passaram a fazer parte do dia-a-dia algum tempo depois. O período de pós-guerra foi determinante para a entrada definitiva da mulher no mercado de trabalho e o início da democratização do consumo de roupas prontas. Apesar dessa democratização as pessoas não consumiam tanto quanto hoje, pois as roupas tinham, em geral, boa qualidade e eram usadas por mais tempo.

 A intensificação do consumo de produtos de moda aconteceu a partir da década de 80, quando o ciclo de vida dos produtos diminuiu bastante, ou seja, as pessoas passaram a usar uma peça de roupa ou um calçado por um tempo bem menor do que antes, descartando com mais frequência, para substituir por novas peças. As consequências de tudo isso não foram tão boas para o nosso planeta. Quanto mais roupa se compra e quanto menos tempo se usa essas roupas, mais coisas são descartadas.

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Chegamos então ao nosso ponto: a moda sustentável. Mas o que realmente quer dizer esse termo que tanto ouvimos falar? A idéia de sustentabilidade surgiu em meio à crise ecológica nas décadas de 60 e 60 do século XX e a palavra sustentabilidade tem a ver com “durabilidade” e “sustentação” dos ecossistemas. Defender a sustentabilidade significa não significa apenas preservar o meio ambiente, mas promover o uso racional dos recursos naturais, garantindo melhores condições sociais, culturais e econômica para todos.

Sabemos que toda peça de roupa ou sapato para ser fabricada, depende a extração de matéria-prima da natureza, uso de energia e mão-de-obra para a fabricação, transporte, embalagem, etc. Para a moda ser sustentável a indústria da moda deveria garantir que todo o processo de produção não ameaçasse a manutenção saudável do meio ambiente.

Atualmente, sabe-se que seriam necessárias mudanças radicais na indústria para uma produção realmente sustentável. Isso quer dizer que nem todos os produtos que consumimos são 100% sustentáveis. A boa notícia é que não faltam pesquisadores trabalhando para desenvolver matérias-primas e processos de produção mais sustentáveis e acessíveis para o nosso consumo. Enquanto isso o que nós podemos fazer para ficar na moda e ao mesmo tempo contribuir para a preservação do meio ambiente e ter a consciência limpa? Acredite, não é tão difícil assim e pode ser até muito divertido.

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Em primeiro lugar, podemos mudar a nossa percepção da qualidade das roupas e calçados que compramos. Pense antes de comprar uma peça, examine a qualidade do tecido, das costuras e acabamentos para saber se vale a pena gastar o seu rico dinheirinho nela. Sempre que possível prefira comprar roupas fabricadas no Brasil, pois além de valorizar a nossa moda, usam menos transporte para chegar até nós. Desconfie de roupas muito baratinhas, pois elas podem esconder histórias de exploração de mão-de-obra e outras irregularidades, o que não é nada legal.

Em segundo lugar, quando levar para casa aquele vestido lindo que você sempre sonhou em ter, cuide bem dele! Aprenda como lavar e guardar corretamente para que ele tenha uma vida útil maior e você possa usá-lo bastante! Dedique-se nas horas vagas a fazer pequenos reparos nas suas roupas preferidas, como costurar um botão que caiu, por exemplo, e dependendo da sua habilidade para a coisa, você pode até se aventurar na customização de uma roupa que não usa há muito tempo. Que tal?

A minha terceira dica é que você crie o hábito de dividir o que tem com as suas amigas. É isso mesmo! Pra que comprar um vestido de festa que você só irá usar uma vez? Pegar um vestido de festa emprestado com uma amiga ou emprestar o seu, além de ser mais econômico, evita que o vestido fique muito tempo guardado no armário, o que também não é bom, pois nossas roupas também precisam “respirar”.

A quarta dica pode ser também a mais divertida. Você pode organizar um bazar em casa com as suas melhores amigas para fazer um troca-troca de peças. Você aproveita pra fazer uma social, se livra daquelas peças que nunca usa e pode adquirir peças super bacanas, sem ter que gastar nenhum centavo por elas! No final do bazar, se sobrarem peças que ninguém teve interesse em trocar, leve para doação, com certeza tem alguém precisando muito mais do que você.

Essas são as primeiras dicas da minha coluna moda sustentável. Aqui você vai ficar informada das últimas novidades nesse assunto e vai descobrir que ter atitudes sustentáveis não significa ser uma eco-chata! Afinal, ser chique é ser consciente! Fique de olho nas próximas dicas e não deixem de contar como foio seu bazar troca-troca, hein!

Referências:

CALDAS, Dario. Observatório de Sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2004.

LEE, Matilda. Eco chic: o guia de moda ética para a consumidora consciente. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero : a moda e seu destino nas sociedades modernas / Gilles Lipovetsky ; tradução maria Lucia machado. — São paulo : Companhia das Letras, 2009.

PIRES, Doretéia Baduy (org). Design de Moda: Olhares diversos. São Paulo. Ed. Estação das Letras e Cores, 2008.

Fonte imagens

Google

http://www.mysingerstory.com/


Tânia Neiva

Graduada em Estilismo e Moda da UFC e especialista em Metodologia do Ensino de Artes pela Universidade Estadual do Ceará.

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