O Que Há Por Trás do “Fast Fashion”

Publicado por Tânia Neiva em

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Toda pessoa que gosta de moda também gosta de comprar roupas novas e baratinhas, certo? Mas você o que está por trás de roupas muito mais baratas do que a média do mercado? Quando compramos uma peça de roupa devemos ter em mente que existe um longa cadeia produtiva até que essa peça chegue a nós.

Em muitos casos as pessoas que costuram e dão acabamento às roupas são exploradas e até mesmo escravizadas pela indústria. Longas jornadas de trabalho, baixos salários, trabalho infantil e péssimas condições de trabalho são alguns dos problemas enfrentados por quem presta seus serviços indústria da moda.

A frequência com que algumas marcas lançam suas coleções é muito maior do que há alguns anos. Muitas marcas oferecem até 15 coleções de roupas por ano, para atrair ainda mais a curiosidade dos consumidores e gerar mais compras de roupas do que a maioria dos consumidores faz normalmente. A publicidade dessas marcas tentam lhe convencer que você “precisa” ter um certo modelo só porque este foi vestido por uma celebridade em um evento importante. Muitas pessoas são seduzidas por esse tipo de apelo emocional e lotam o seu armário com roupas de que não precisam.

Para sustentar esse ritmo acelerado de produção a indústria tem que recorrer a meios nada legais para conseguir cumprir os prazos. Há uma tendência atualmente de grandes marcas terceirizarem toda a sua produção com fábricas localizadas nos subúrbios das grandes cidades dos países mais pobres. Para se manter funcionando, essas fábricas são obrigadas a aceitar pedidos de milhares de peças com prazos de entrega curtíssimos, que se não forem cumpridos podem significar quebra de contrato e grandes prejuízos.

Quem sai perdendo em toda essa história são os trabalhadores, que têm que se dedicar longas horas ganhando salários que muitas vezes não é suficiente nem mesmo para o seu sustento básico. Em muitas fábricas os funcionários são chamados pelo número da máquina em que trabalham e não pelo seu nome, e existem relatos de que ganham $0,05 (cinco centavos de dólares) por cada 100 peças costuradas, o que os obriga a produzir entre 5 mil e 10 mil peças de roupas por dia para garantir a sua meta diária. A maioria dessas pessoas não são contratadas e não tem assegurados nenhum dos direitos trabalhistas, podendo ter jornada de trabalho de até 20 horas por dia.

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O documentário China Blue foi feito em 2005 para denunciar esse tipo de trabalho, ainda hoje tem grande repercussão e vale a pena ser visto para que tenhamos consciência do que realmente acontece. Algumas marcas famosas e caras já foram denunciadas por usar trabalho ilegal na produção de suas coleções. Mas ainda há muito trabalho clandestino que precisa ser denunciado. Nós como consumidores também somos responsabilizados quando compramos uma peça de roupa sem questionar de onde ela veio e como foi produzida. O que podemos fazer é nos informar sobre a procedência do que compramos e darmos mais valor aos produtos que sabemos de onde vieram e como são produzidos. Assim as marcas se sentirão pressionadas a adotar uma atitude mais transparente e respeitar a opinião dos seus consumidores.

Link para o vídeo China Blue: http://www.youtube.com/watch?v=9DXUHCp-zUc


Tânia Neiva

Tânia Neiva - Ilustradora e autora

2 comentários

Sabrina Gutiguti · 20 de março de 2014 às 10:48

Realmente e muita pessoa nem mesmo sequer querem se dar conta disso…
sabrina
sabrinizza.wordpress.com

Os Rumos da Moda Sustentável - Tânia Neiva · 15 de fevereiro de 2021 às 22:25

[…] matéria-prima poluente, a indústria da moda agrava o problema do lixo no mundo. A tendência do fast fashion ou “moda rápida”, que vende roupas a preços baixos e sem qualidade, estimula o […]

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