Depois de ter ficado mais de uma hora com a filha em uma fila durante um passeio à Disney, Ralph Liedert, um dos pesquisadores da equipe do VTT Technical Research Centre da Finlândia, teve a ideia de fabricar uma roupa com ar-condicionado e pensou que seria genial se sua camiseta tivesse um sistema de refrigeração, que poderia ser ligado com um aplicativo do smartphone. Sem dúvida, outros pais pensaram coisas semelhantes nessas circunstâncias. Liedert, que estuda o novo campo promissor dos microfluidos tinha meios para transformar o sonho em realidadee recorreu ao departamento de microfluidos do VTT poderia encontrar uma solução.

Já existem coletes com sistema de refrigeração usados por pilotos de corrida, motociclistas e pessoas que trabalham em fornalhas. Mas os tubos por onde a água é bombeada são volumosos e incômodos porque precisam estar conectados a unidades externas que refrigeram a água.

Os microfluidos são fluidos manipulados em escala microscópica. Sua área de pesquisa abrange o desenvolvimento de microdispositivos de análise química. Esses dispositivos permitem realizar análises complexas em um único chip e com o uso de uma quantidade minúscula de líquido. O cartucho de impressora jato de tinta é um bom exemplo.Outro exemplo é o uso das propriedades dos microfluidos na fabricação de um chip, que equivaleria a um laboratório de análises clínicas. Esses dispositivos transportam fluidos, como sangue através de canais de meio milímetro ou menos de diâmetro até câmaras com reagentes analíticos. Os sensores, tanto no chip quanto na máquina onde o chip é inserido, detectam as reações resultantes e proporcionam uma análise instantânea da amostra. O projeto de construção de um chip à base de microfluidos com a função de um laboratório de análises clínicas é um dos projetos do departamento de microfluidos do VTT.

Mas a principal contribuição do departamento a esse campo de pesquisa foi o desenvolvimento de uma técnica, que permite a criação de microcanais em grandes áreas de um material plástico fino e flexível, que podem ser cortados em dispositivos individuais. Esse método de produção em larga escala de estampagem de microcanais a quente em grandes áreas de filme plástico, é mais rápido e mais barato do que as técnicas tradicionais de fabricar chips com a função de laboratórios, como o processo de fotolitografia usado na fabricação de chips de computadores.

O método consiste em passar o plástico entre dois cilindros quentes, um dos quais com o desenho dos microcanais. Quando os cilindros comprimem o plástico eles criam o padrão do desenho dos microcanais em uma das superfícies. Em seguida, um segundo filme plástico recobre a superfície. Segundo Liedert, essa técnica poderá ser utilizada para imprimir canais microfluídicos em tecidos finos e macios agradáveis para serem usados em coletes com sistema de refrigeração.

O primeiro protótipo do grupo de pesquisadores revelou que esse material pode ser fabricado e usado na circulação de água gelada. A ideia inicial foi de usá-lo em um paletó, mas a equipe descobriu que funcionava muito melhor em contato direto com a pele. Agora, os pesquisadores estão fazendo um segundo protótipo que cobre o pescoço e os ombros do usuário e pode ser adaptado a uma camisa esportiva.

Fonte:
The Economist-Chilled out


Tânia Neiva

Graduada em Estilismo e Moda da UFC e especialista em Metodologia do Ensino de Artes pela Universidade Estadual do Ceará. Atua na área de planejamento e criação de coleções de moda. Lecionou nos cursos de Design de Moda da UFC Centro Universitário Estácio do Ceará.

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