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Tecidos sintéticos prejudicam a saúde e poluem os oceanos

Esse post foi publicado originalmente no meu blog It’s a Girl. Lá eu falo sobre os riscos dos tecidos sintéticos para a saúde de crianças e adultos. Além de prejudicar a saúde de quem usa uma roupa feita com esse tipo de tecido, essas fibras também poluem o meio ambiente. Mais uma vez a indústria da moda prejudicando o meio ambiente. Os tecidos sintéticos são os preferidos da indústria por serem mais baratos do que as fibras naturais, mas eles são derivados do petróleo, sendo, portanto, altamente tóxicos. Esses tecidos não deveriam ser utilizado para vestuário, principalmente de crianças. pois não se sabe ao certo qual o real impacto que eles causam à saúde em longo prazo. Os pais devem pensar seriamente nesse assunto e avaliar se vale à pena comprar algumas marcas infantis que utilizam tecidos sintéticos em suas roupas.

O processo de fabricação de fibras e tecidos sintéticos, solta resíduos tóxicos e após esses tecidos serem transformados em roupas, continuam soltando micropartículas durante a sua lavagem. Novos estudos mostram que enormes quantidades de minúsculas fibras de tecidos sintéticos estão indo parar nos oceanos a partir das máquinas de lavar roupa domésticas.  Ao lavar roupas de malha, lã ou tecido plano feitas de poliéster, acrílico e nylon, pequenas microfibras são eliminadas durante o processo, independente se são fibras virgens ou recicladas. Por serem muito pequenas, os filtros das máquinas de lavar convencionais não conseguem retê-las.

Essas micropartículas ( com menos de um milímetro de diâmetro) e fibras acabam contaminando plâncton, que serve de  alimento para os animais aquáticos. O plâncton marinho é composto por milhares de organismos microscópicos. Esses pequenos animais acabam ingerindo micropartículas de plástico que se soltam durante a lavagem de roupas  sintéticas e poluem os oceanos. Isso vem prejudicando outros animais maiores que se alimentam de plâncton, como tartarugas marinhas, baleias, aves e peixes. Pequenos animais se alimentam do plástico contaminado e ao longo da cadeia alimentar, acabam propagando a intoxicação até os seres humanos. Toneladas de peixes, camarões, lulas, lagostas e caranguejos comem plâncton e depois são pescados e vendidos para consumo humano.

Fibras de tecidos sintéticos
Fibras de tecidos sintéticos
Microplásticos
Microplásticos

Foi realizado um estudo recente intitulado “A poluição da microfibra e a Indústria de Vestuário,” sob direção da Dr. Patricia Holden, microbiologista ambiental na Escola Bren de Ciência e Gestão Ambiental da Universidade da Califórnia. Esse estudo descobriu que um casaco de lã sintética (a que mais solta microfibras) lança uma média de 1,7 gramas de microfibras por lavagem, dos quais cerca de 40% entra nos sistemas de água naturais. Estas fibras sintéticas estão criando um impacto negativo sobre a vida aquática, com evidência de bioacumulação na cadeia alimentar.

Segundo o mesmo estudo, entre a composição química das substâncias encontradas, três quartos são de poliéster, e o resto é formado por poliamida, polipropileno e acrílico. Essas substâncias correspondem à composição dos tecidos sintéticos. Para combater o problema da poluição das águas, os pesquisadores sugerem que as empresas fabricantes de máquinas de lavar considerem a importância de novas pesquisas e tecnologias capazes de reduzir as emissões de microfibras nas redes de esgoto, como a ultrafiltração. Novas tecnologias inovadoras estão sendo desenvolvidas para reduzir a quantidade de água utilizada no processo de lavagem, para que menos microfibras sintéticas sejam liberadas pelas peças de vestuário. Porém, mesmo que a emissão de microfibras seja reduzida, os tecidos sintéticos continuarão a representar um risco à saúde humana.

Fibras sintéticas
Fibras sintéticas
Microplastico
Microplásticos

Os tecidos feitos de garrafas PET recicladas, que são erroneamente ditos ecológicos, também liberam microfibras na lavagem como os tecidos de poliéster virgem e o problema é que não são biodegradáveis como as fibras de tecidos naturais como algodão ou artificiais como modal, liocel e viscose. A melhor solução seria a fabricação somente plásticos biodegradáveis feitos de amido de plantas que dissolvem na terra ou água e utilizar somente novos fios sintéticos feitos de cana de açúcar, milho, trigo e beterraba.

Em 12 de Maio de 2016, foi lançada durante a Cúpula de Moda de Copenhague a campanha Ocean Clean Wash, uma parceria entre o Fashion Institute da Dinamarca e a ONG Plastic Soup Foundation. A campanha reúne mais de 80 membros de uma coalizão mundial e resultou em uma proibição de microesferas de plástico em produtos de cuidados pessoais nos Estados Unidos e uma pressão contínua para aplicat a proibição também na Europa.

Já aderiram mais de 70 organizações, líderes ambientais e cientistas que assinaram uma declaração de apoio a esta iniciativa. A iniciativa convida empresas de moda, fabricantes de máquinas de lavar roupa e a indústria têxtil para assinar Carta Ocean Clean Wash e juntar forças para acabar com o problema.

Uma equipe de cineastas e pesquisadores conseguiram filmar pela primeira vez, um grupo de copépodes (um tipo de zooplâncton que se alimenta de algas no oceano) que se alimenta com partículas de plástico. As imagens, gravadas através de um microscópio, foram feitas pelo Laboratório Marinho de Plymouth, na Inglaterra, que visa aumentar a consciência sobre como a poluição está afetando até mesmo as menores criaturas do mar. Os pequenos pontos verdes são pedaços de microplásticos coloridos com corante fluorescente. Veja o vídeo:

 

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Referências:

https://www.theguardian.com/environment/2016/jun/20/microfibers-plastic-pollution-oceans-patagonia-synthetic-clothes-microbeads

http://www.plasticsoupfoundation.org/en/2016/04/new-collaboration-with-gstar-to-stop-plastic-microfibers/

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Tânia Neiva

Graduada em Estilismo e Moda da UFC e especialista em Metodologia do Ensino de Artes pela Universidade Estadual do Ceará. Atua na área de planejamento e criação de coleções de moda. Lecionou nos cursos de Design de Moda da UFC Centro Universitário Estácio do Ceará.