Vem crescendo entre os pais a tendência de comprar enxovais importados, atraídos por marcas famosas e preço baixo. Mas o que poucas pessoas sabem é que as roupas infantis importadas podem estar contaminadas com produtos tóxicos e ser um sério risco à saúde das crianças. Esse tipo de notícia pode até gerar descrença em alguns pais, já que muitas crianças não apresentam nenhuma reação aparente ao usar roupas importadas. Os efeitos dessas substâncias podem não ser visíveis, no entanto, a exposição por longos períodos de tempo a grandes quantidades de produtos químicos perigosos, presentes em roupas contaminadas, resultam em reações alérgicas, erupções cutâneas, ou problemas de saúde mais graves.

A Consumer Product Safety Commission (Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor, CPSC), agência federal norte-americana que examina produtos como roupas infantis, inspeciona apenas uma pequena amostra dos produtos que estão no mercado. Devido a limitações orçamentais e de pessoal, não é possível inspecionar todos os embarques de roupa importadas que chegam ao país.

Muitas empresas estrangeiras estão terceirizando a produção para países com baixos custos de produção e de mão-de-obra, a fim de aumentar seus lucros. Muitas vezes as normas de saúde não são respeitadas nesses países, permitindo que as marcas internacionais, ao tingir e processar as roupas, usem esses produtos. Entre os resíduos tóxicos, encontram-se muitos elementos químicos perigosos como tributilestanho (TBT), éter difenílico polibromado (PBDE), ftalatos, perfluoro-octanossulfônico (PFOS) e anilina, que estão proibidos ou rigorosamente regulados em outros países porque são tóxicos, persistentes, bioacumulativos, disruptivos hormonais e podem provocar câncer.

A grande maioria destas substâncias é eliminada na primeira lavagem, o que pode evitar uma reação alérgica na pele da criança. Por isso é tão importante lavar as peças de roupa novas antes de vesti-las pela primeira vez. O problema é que quando essas roupas são lavadas, os resíduos químicos são levados pela água e se espalham em nossas hidrovias. Mas mesmo após a primeira lavagem, outros resíduos de substâncias químicas podem demorar mais tempo nas fibras dos tecidos.

Uma investigação do Greenpeace Internacional revelou que substâncias químicas perigosas são usadas na produção de roupas infantis. Foi analisada uma amostra 82 peças para crianças, de camisetas a sapatos e roupas de banho, das marcas Adidas, American Apparel, Burberry, C&A, Disney, GAP, H&M, Li-Ning, Nike, Primark, Puma e Uniqlo. Os produtos analisados pelo Greenpeace foram adquiridos entre maio e junho de 2013 em lojas oficiais das marcas em países como Colômbia, México, Argentina, Itália, Espanha e Estados Unidos, e foram fabricados em 12 países diferentes.

A investigação confirmou que todas as peças de roupa analisadas, desde as mais baratas até as de luxo, continham químicos perigosos para a saúde e que podem alterar o equilíbrio hormonal tanto em crianças como em adultos. É uma situação alarmante que se estende por toda a indústria. Segundo as análises, 61% das roupas continham nonilfenol, um grupo de elementos químicos que contribuem para distúrbios hormonais, e mais de 94% tinham ftalatos, utilizado comumente na indústria têxtil como suavizante e conhecido como um tóxico que afeta o desenvolvimento reprodutivo em mamíferos.

Ainda não se sabe qual pode ser a consequência direta para uma criança que vista a roupa contaminada porque ainda não há estudos científicos concretos que digam com exatidão o que acontece após uma alta exposição a esses tóxicos, mas com certeza pode causar um forte impacto na saúde.

 

Mas por enquanto o problema da presença dessas substâncias nas roupas infantis está longe de ser solucionado. A conscientização ainda é a melhor via para proteger as crianças dos perigos da contaminação através das roupas. Antes de comprar, devemos sempre verificar a procedência das peças e se possível, evitar a compra de artigos importados, principalmente os fabricados nos países asiáticos. Preferir os produtos nacionais, além de proteger a nossa saúde e o meio-ambiente, ainda fortalece a nossa indústria! O  Greenpeace destacou que graças à pressão popular, cerca de 18 marcas internacionais já registraram um grande avanço no sentido de reduzir para zero a presença de tóxicos em suas roupas até 2020.

O Greenpeace fez uma releitura do clássico “A Nova Roupa do Imperador”, do autor Hans Christian Anderson, em que o rei é enganado acreditando estar vestindo roupas especiais quando na verdade está completamente nu. A adaptação serviu para revelar a mentira tóxica por trás das marcas do mundo da moda.  No conto de fadas atual, grandes marcas do mundo fashion estão enganando seus consumidores, escondendo a presença de substâncias químicas perigosas por trás do glamour de suas passarelas.

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A história começa assim: “Era uma vez um reino não tão distante onde vivia um pequeno rei. Sua mãe queria só o melhor para seu querido filho e comprou para ele as roupas mais luxuosas do reino. No entanto, ele se recusava a vesti-las  porque conseguia ver algo que sua mãe não conseguia. Ele percebia que as roupas estavam contaminadas com substâncias químicas perigosas. Recusando-se a vestir qualquer roupa, ele então proclamou que nenhum produto tóxico nas roupas seria permitido em seu reino e em todo o mundo, desafiando os alfaiates a produzir roupas livres de tóxicos para ele e para todas as crianças”.

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Infelizmente essa história é real e os perigos de comprar roupas tóxicas afeta a todos nós. Mesmo que pareça bacana comprar o enxoval do bebê todo importado, isso não passa de um modismo para ganhar status social, e o que é pior, um modismo que pode custar a saúde de uma criança. Como consumidores conscientes, vamos nos unir por uma moda livre de substâncias tóxicas perigosas  em nome do bem estar de todas as crianças ao redor do mundo.

veja aqui, em inglês investigação do Greenpeace Internacional


Tânia Neiva

Graduada em Estilismo e Moda da UFC e especialista em Metodologia do Ensino de Artes pela Universidade Estadual do Ceará. Atua na área de planejamento e criação de coleções de moda. Lecionou nos cursos de Design de Moda da UFC Centro Universitário Estácio do Ceará.

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